Psicóloga Renata Freitas

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Transtorno de Ansiedade Específico


Transtorno de Ansiedade Específico: Tratamento na perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental – TCC

Renata F Cardoso de Freitas

Resumo: Este artigo faz uma breve abordagem dos transtornos de ansiedade:  transtorno do pânico, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), fobia social, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno do estresse pós-traumático (TEPT). Tal abordagem tem como objetivo conceituar, esclarecer e evidenciar as principais técnicas usadas na perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Foi realizada uma pesquisa bibliográfica de renomados autores sobre o assunto a respeito das técnicas mais usadas na Psicologia na perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Os transtornos de ansiedade permitem a alternância de várias técnicas cognitivas e comportamentais e, dependendo do grau de sofrimento psíquico do paciente,  a associação medicamentosa tem se mostrado bastante eficaz.

Palavras-chave: medo, pânico, apreensão, aflição e ansiedade.

Introdução:

De acordo com  Ferreira (1986) ansiedade é o receio sem objeto ou relação com qualquer contexto de perigo, e que se prende, na realidade, a causa psicológica inconsciente.

Segundo Beck a ansiedade é uma resposta emocional provocada por medo,  que é a avaliação do perigo real ou não, é o estado de sentimento desagradável presente quando o medo é estimulado.  A ansiedade envolve esferas fisiológicas, cognitiva, comportamental e afetiva do funcionamento humano.

Os sintomas mais frequentes da  ansiedade na esfera fisiológica são: aumento da frequência cardíaca, palpitações, falta de ar, respiração rápida, tremor, agitação, tensão muscular, rigidez, tontura, sudorese, diarréia e boca seca; já os sintomas cognitivos mais presentes são: medo de perder o controle, medo de morrer, medo da avaliação negativa dos outros, hipervigilância, concentração deficiente, distração, dificuldade de raciocínio, perda de objetividade, pensamentos, imagens ou recordações aterrorizantes. No comportamento o que mais se destacam são: fuga de situações ameaçadoras, esquiva, reasseguramento, inquietação, agitação, imobilidade e dificuldade para falar. No afetivo os sintomas mais comuns são: nervosismo, tensão, excitação, receio, temor, irritabilidade, nervosismo, impaciência e frustração (BECK, 2012).

A terapia cognitiva, desenvolvida por Aaron Beck, é singular no sentindo de que é um sistema de psicoterapia com uma teoria de personalidade e de psicopatologia unificada, sustentada por evidências empíricas substanciais. O terapeuta acha uma variedade de formas, para produzir a mudança cognitiva, mudanças no pensamento e no sistema de crenças do paciente, com o objetivo de promover mudança emocional e comportamental significativa (JUDITH, 1997).

A abordagem Terapia Cognitivo-Comportamental – TCC, apresenta excelentes resultados no tratamento de quadro ansiosos, pois dispõe de uma boa gama de técnicas cognitivas comportamentais.

A seguir uma breve conceitualização de cada transtorno específico supracitado e o tratamento mais usado atualmente, ou seja, Terapia Cognitiva Comportamental.

Transtorno do pânico. A grande maioria dos pacientes com transtorno do pânico manifesta sob forma de crises intermitentes, juntamente com vários sintomas ansiosos com intensidade significativa (Sudak, 2012). As crises agudas podem ou não apresentar sintomas ansiosos constantes. Na crise ocorre importante descarga do sistema nervoso autônomo. Os sintomas mais frequentes são desconforto respiratório ou sensação de asfixia, náusea, formigamento nas extremidades e medo de morrer. O início da crise de pânico acontece inesperadamente e chega a durar de 5 a 10 minutos. O desencadeamento da crise pode ser, por exemplo, situações como: aglomeração de pessoas, congestionamento no trânsito e situações interpretadas como ameaçadoras (DAVID 2012).

Tratamento na perspectiva da TCC. A Terapia Cognitivo-Comportamental tem se mostrado muito eficiente no tratamento do transtorno do pânico. É importante ressaltar que nos casos de crises significativas além da psicoterapia, o tratamento medicamentoso é muito importante de acordo com Sudak. As técnicas mais utilizadas nesse transtorno é a exposição in vivo gradual ao estímulo desencadeador do pânico (técnicas da Terapia Cognitivo- Comportamental). Prevenção de recaída, onde o psicólogo informa ao paciente sobre como se comportar caso perceba o início da crise. Retraimento da respiração, que é uma estratégia de relaxamento incorporada às primeiras versões da terapia cognitiva.

Fobia Social. Na fobia social o indivíduo sente-se exposto acompanhado do desejo de evitar ou fugir da situação. É uma sensação de desconforto muito acentuada. O componente crucial de seu sistema cognitivo é a crença de que necessita de aceitação de todas as pessoas a fim de conseguir o bem-estar ou a felicidade e que a rejeição representa uma importante ameaça (Caballo, 1997). Ainda de acordo com  Caballo, seus portadores têm alta morbidade e devem ser tratados de forma incisiva uma vez o diagnóstico estabelecido, pois o seu surgimento é multifatorial e incompleto, ou seja, é um somatório de carga genética, desenvolvimento psicológico precoce e experiências de vida que combinados determinarão o surgimento da fobia social.

Tratamento na perspectiva da TCC. No momento a técnica mais usada   para ajudar o paciente com fobia social é a técnica de dessensibilização sistemática, que pode ser exposição gradual ou in vivo. No caso de não ser in vivo, o terapeuta constrói junto com o paciente as situações mais temidas e se imaginam nas diversas situações, sob um estado de relaxamento, incompatíveis com o estado de ansiedade. Outra técnica bastante utilizada é o treinamento em relaxamento de Jacobson. O paciente vai tensionar e relaxar sucessivamente grupos específicos de músculos.

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). De acordo com o DSM-IV, TAG é considerado um transtorno de ansiedade caracterizado por ansiedade e preocupação excessivas que persistem por pelos menos 6 meses e diz respeito a uma série de eventos e atividades. Causa sofrimento clinicamente significativo no funcionamento social ou ocupacional. Os sintomas mais comuns são: fatigabilidade, irritabilidade, tensão muscular, perturbação do sono, dificuldades em se concentrar ou sensação de vazio na mente e inquietação.

“Preocupação é uma cadeia de pensamentos e imagens, carregada de afeto negativo e relativamente incontrolável. O processo de preocupação representa uma tentativa de obter a solução mental de problemas sobre uma questão cujo resultado é incerto, mas contém a possibilidade de um ou mais resultados negativos. (Borkovec, 1983, p. 10)

 

Tratamento na perspectiva da TCC. Segundo David para trabalhar com TAG na perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental, primeiramente, deve-se começar pela psicoeducação com o paciente. Apresenta-se o modelo cognitivo do TAG, para justificar a lógica do tratamento. Nesse mesmo sentido, também ajudar o paciente a diferenciar preocupação produtiva de improdutiva, reestruturação cognitiva das avaliações de ameaça, indução de preocupação, expressão de preocupação repetida e processamento elaborativo do presente.

De acordo com Sudak, a combinação de medicamento psicotrópico e a TCC pode ser mais rapidamente efetiva em muitos pacientes do que qualquer um dos tratamentos isoladamente.

Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Segundo David, tal transtorno de ansiedade tem como aspectos principais a ocorrência repetida de obsessões acompanhadas ou não de compulsões de gravidade suficiente para consumir tempo ou causar sofrimento acentuado.  A presença de esquemas disfuncionais e avaliações errôneas são processos críticos na etiologia e manutenção das obsessões  e compulsões. Para aliviar o desconforto, a pessoa tenta neutralizar as obsessões por meio de comportamento repetitivo, que são as compulsões (BECK 2012).

Pensamentos obsessivos são idéias, imagens ou impulsos que entram na mente do indivíduo repetidamente de uma forma estereotipada. Eles são quase, invariavelmente, angustiantes e o paciente usualmente tenta, sem sucesso resistir-lhes (CID -10).

Tratamento na perspectiva da TCC. A reestruturação cognitiva vai ajudar o paciente na busca de evidência, análise e custo-benefício, descatastrofização e identificação de erro que são usadas para contestar pensamentos e crenças ansiosas. Outra técnica muito usada também é a explicação alternativa, onde o terapeuta encoraja o paciente com o TOC a questionar suas crenças de que obsessões são ameaças altamente perigosas as quais eles têm a responsabilidade pessoal de controlar.

O tratamento combinado (medicamentoso e terapia) para o TOC é, com freqüência, o tratamento aplicado na prática clínica, porque os sintomas do TOC são muito incapacitantes (SUDAK, 2012).

Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT). Esse transtorno de ansiedade é definido como a resposta do indivíduo a um evento específico. Pelo menos uma revivescência do sintoma deve estar presente que represente de alguma forma recordação ou lembrança intrusiva do trauma que está associado com forte afeto negativo e é vivenciado de uma incontrolável emoção (DAVID 2012).

Os sintomas típicos incluem episódios de repetidas revivescência do trauma sob a forma de memórias intrusas (flashbacks) ou sonhos, ocorrendo contra o fundo persistente de uma sensação de “entorpecimento” e embotamento emocional, afastamento de outras pessoas, falta de responsividade ao ambiente, anedonia e evitação de atividade e situações recordativa do trauma. (CID-10).

Tratamento na perspectiva da TCC. O objetivo principal da terapia cognitiva para TEPT visa reduzir os sintomas da experiência pós-trauma, obter redução significativa da ansiedade, depressão e melhorar o nível de funcionamento social e ocupacional (Beck, 2012). Ainda de acordo com Beck, primeiramente, deve-se trabalhar com o paciente a aceitação do modelo cognitivo do TEPT, corrigir quaisquer crenças errôneas sobre o TEPT, garantir a aderência ao tratamento e aumentar a adesão às tarefas de casa, que será definida pelo terapeuta juntamente com o paciente.

Conclusão.

 

Nota-se que os transtornos de ansiedade, na contemporaneidade, é uma das condições psiquiátricas mais presentes e incapacitantes, podendo ser tratados tanto com terapia e medicação. Alguns estudiosos do assunto falam que tal tratamento associado apresenta o resultado mais rápido e eficaz. Vivemos o momento da era do vazio, do consumo e do imediatismo, onde as pessoas tem medo do fracasso e medo do medo; e isso pode estar colaborando para um maior surgimento de transtornos ansiosos.

Essa abordagem Terapia Cognitivo-Comportamental dispõe de uma gama significativa de técnicas para intervenções nos transtornos de ansiedade. Convém observar que ansiedade não é necessariamente ruim, porém se for considerada em níveis acima do esperado, deve sim ser tratada; até voltar aos níveis que não cause sofrimento psíquico.

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BECK, AARON. T. David A. Clark. Transtornos de ansiedade: tratamento que funcionam.  Porto Alegre: Artmed, 2012. pp. 17, 28, 280, 310, 311, 454, 534.

BORKOVEC, 1983, p. 10. In_____ DAVID, A. Clark. Transtornos de ansiedade: tratamento que funcionam.  Porto Alegre: Artmed, 2012. p. 394.

CID-10. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10. São Paulo. Artmed, 2011. pp. 140, 145, 146.

CABALLO, E. Vicente. Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. São Paulo. Santos. 2007. p.461

DAVID, A. Clark. Transtornos de ansiedade: tratamento que funcionam.  Porto Alegre: Artmed, 2012. pp. 422, 424, 428.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª e. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.127.

JUDITH, S. Beck. Terapia Cognitiva: Teoria e Prática. Porto Alegre: Artmed, 1997. pp. 18.

SUDAK, M. Donna. Combinando terapia cognitivo-comportamental e medicamentos: Uma abordagem baseada em evidências. Porto Alegre: Artmed, 2012. pp. 131, 132, 134, 141.