Psicóloga Renata Freitas

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Dificuldade de Relacionamentos


Relacionar-se é um processo complexo pela fragilidade humana. Para aquele que se submete à experiência contínua do autoconhecimento já não é fácil; dificuldade aumenta para aqueles que não se conhecem e nem querem.

Relacionar-se é um conjunto de atos não programados, advindos da percepção do outro em cada momento e dos sentimentos tanto alheios como próprios. A dificuldade se amplifica pelas expectativas. Criar expectativa é humano, esperar que o outro tenha uma conduta em relação ao que se quer ou ao que se pensa é natural. – A complicação se forma quando a expectativa se torna em exigência, de maneira consciente ou não. É a situação de se esperar que o outro tenha uma reação e quando tal não ocorre, ressentir-se de tal modo que aconteça restrições com o outro, o culpando ou o penalizando; além disso, a frustração pode gerar impossibilidade de se crer em qualquer um e gasto emocional intenso que incapacite de se realizar as tarefas rotineiras de modo adequado e eficaz.

O embate sem escapatória, que todo ser humano irá enfrentar, por sua fragilidade, é a percepção que a expectativa com relação ao outro necessariamente não irá se efetuar; nem a expectativa com a sua própria existência poderá se concretizar por fatores externos à sua vontade. A conduta humana é imprevisível, soma de emoções, vivências diferenciadas, habilidades, inabilidades, aprendizados sociais variados; não há como prever em detalhes. Para a desestrutura não ser incapacitante, perceber que o outro é um ser diferente, com expectativas e desejos variados, que por vezes se assemelham ao do observador, mas nunca idênticos, auxilia. Ajuda também estar-se ciente de suas próprias capacidades, para se fortalecer e se ter energia suficiente para suportar a frustação.

Para que serve se relacionar, então, já que se caracteriza por desgaste e a meta existencial é a felicidade, o bem estar? Poderia, muito bem, cada um, em isolamento, se aprimorar, num exercício árduo de superação. Impossível. O ser humano se constrói pela influência do outro; se percebe pela reação do outro. Há quem até duvide se a individualidade existe de fato, por acreditar que o homem é um ser eminentemente social. Divergências teóricas à parte, constata-se que não há como viver sozinho, somente em ocasiões muito especiais, como a do ermitão, dentre algumas. E frise-se: até nesses casos, houve um período de relacionamento, o isolamento vindo posteriormente.

Relacionar-se é enriquecer-se de experiências, se se está preparado para compreender as dificuldades advindas do relacionamento. É crescer emocional, existencial e espiritualmente, por aceitar as diferenças e s fragilidades observadas tanto do outro quanto a de si mesmo. É poder ser acolhido quando for apropriado por aqueles que estiverem habilitados e desejosos para tal, nos momentos difíceis; é poder acolher, quando puder e quiser.

Fonte: Cláudia de Faria, Psicóloga Clínica do Brasil, membro da equipe do site Therapion.com/p>