Psicóloga Renata Freitas

renata-1
renata-3
renata-2

Fobia social


O que é Fobia social?

Muitas pessoas podem apresentar timidez, em maior ou menor grau, principalmente em ambientes novos, desconhecidos e cheios de pessoas estranhas. Encontros sociais, falar em público e começar em novo emprego, por exemplo, são situações em que a timidez costuma falar mais alto naturalmente. Apesar de ser normal sentir-se ansioso e inseguro em lugares e situações como essas, a tendência é que as pessoas vão se familiarizando com o local e, aos poucos, entrosando com outras pessoas e fazendo novas amizades.

No entanto, há quem evite essas interações sociais ao máximo. São pessoas que ficam apavoradas com a ideia de ir a uma festa ou a qualquer outro evento social, pessoas que, de tanto medo que sentem, muitas vezes chegam ao ponto de evitar todo e qualquer tipo de contato social. Esse comportamento é característico de um distúrbio conhecido popularmente como fobia social, ou transtorno da ansiedade social.

Causas

Como muitos outros problemas relacionados à saúde mental, a fobia social é resultado, provavelmente, de uma complexa interação entre o meio ambiente e genes. As possíveis causas incluem:

Hereditariedade

Os transtornos de ansiedade, entre eles a fobia social, são comuns em pessoas de uma mesma família, mas ainda não está claro se há mesmo uma relação direta entre a genética e esses distúrbios.

Estrutura cerebral

A amídala cerebelosa é uma importante estrutura do cérebro na formação e controle das emoções humanas, entre elas o medo. As pessoas que têm essa estrutura hiperativa podem apresentar maior sensação de ansiedade e insegurança em momentos de socialização.

Meio ambiente

Ao contrário de outras condições de saúde, acredita-se que a fobia social esteja mais relacionada a causas externas do que a causas genéticas. Por isso, é possível afirmar que o transtorno de ansiedade social pode ser um comportamento aprendido ao longo da vida. Além disso, parece haver uma associação entre o distúrbio e a forma como o filho recebeu educação dos pais.

Fatores de risco

A fobia social é um dos transtornos mentais mais comuns que existem. Ela geralmente começa da adolescência, mas pode acontecer também em crianças e até mesmo na idade adulta.

Vários fatores podem aumentar o risco de uma pessoa vir a desenvolver esse distúrbio. Veja:

Histórico familiar

Uma pessoa é mais propensa a desenvolver fobia social se a família tiver algum histórico da doença.

Traumas e experiências negativas

Crianças que sofrem provocações, como bullying, rejeição, ridicularização ou humilhação tendem a ser mais propensas a distúrbios de ansiedade social. Além disso, acontecimentos negativos e/ou traumáticos na vida da criança, como conflitos familiares ou abuso sexual, podem ser associados ao transtorno também.

Temperamento

As crianças mais tímidas e contidas são mais propensas a esse transtorno também, principalmente se elas encontram dificuldade para enfrentar novas situações ou novas pessoas.

Novas demandas sociais ou de trabalho

Conhecer novas pessoas, fazer um discurso em público ou fazer uma importante apresentação de trabalho são alguns exemplos de situações capazes de desencadear sintomas de transtorno de ansiedade social. No entanto, estes sintomas geralmente têm suas raízes na adolescência.

Desfiguração facial ou em outras partes do corpo, gagueira e outras doenças que costumam ser visíveis e notáveis pode aumentar os riscos de uma pessoa vir a desenvolver fobia social.

Sintomas de Fobia social

Timidez ou sensação de desconforto em certas situações sociais não são necessariamente sinais de transtorno de ansiedade social, principalmente em crianças. A forma como uma pessoa se comporta em determinada situação social depende e varia muito, de acordo com a personalidade e com as experiências de vida. Algumas pessoas são naturalmente reservadas e outras são mais extrovertidos.

Os sintomas da fobia social vão muito além desses sintomas. Além do nervosismo diário, outros sinais do distúrbio incluem medo e ansiedade acentuadas, que afetam diretamente na qualidade de vida da pessoa, comprometendo sua rotina diária, o desempenho no trabalho, na escola e em outras atividades.

Emoção e comportamento

Os principais sinais e sintomas de fobia social, no que diz respeito aos sentimentos e ao comportamento, incluem sensações mais acentuadas, como:

Medo de situações em que você pode ser julgado, de interagir com pessoas desconhecidas, de demonstrar sua ansiedade e apreensão em eventos sociais. Medo, também, de sintomas físicos que possam causar constrangimento, como rubor fácil, sudorese, tremores ou voz trêmula

Preocupação em passar por situações constrangedores ou humilhantes ou, ainda, em ofender alguém

Evitar fazer algumas coisas ou falar com pessoas por medo de constrangimento, evitar situações em que você pode ser o centro das atenções

Ansiedade ao esperar por algo, como um evento ou atividade

É comum, também, que as pessoas que sofrem deste transtorno passem algum tempo depois do fim de uma situação social analisando o seu próprio desempenho e procurando identificar falhas em suas interações ou em sua forma de agir e se comportar. Pessoas vítimas de fobia social também tendem a ser muito pessimistas, esperando sempre o pior – principalmente de situações sociais.

Em crianças, os sintomas acima descritos, mas principalmente a ansiedade, podem ser mostrados por choro, “birras” e pelo apego aos pais, às vezes recusando-se a se comunicar durante algum evento social.

Sintomas físicos

Alguns sinais e sintomas físicos podem, por vezes, acompanhar o transtorno de ansiedade social, como:

Batimento cardíaco acelerado
Dor no estômago ou náuseas
Problemas para recuperar o fôlego
Tontura ou vertigem
Confusão
Diarreia
Tensão muscular

Além disso, pessoas que sofrem de fobia social tendem a evitar experiências comuns e que fazem parte do cotidiano, mas que, mesmo assim, podem ser difíceis de suportar. Veja exemplos:

Usar banheiros públicos
Interagir com estranhos
Comer na frente dos outros
Fazer contato visual
Iniciar conversas
Namorar
Frequentar festas ou reuniões sociais
Ir ao trabalho ou à escola
Entrar em uma sala em que as pessoas já estão sentadas

Os sintomas do transtorno de ansiedade social podem mudar ao longo do tempo. Eles podem se agravar caso haja forte carga emocional ou de estresse.

Buscando ajuda médica

Marque uma consulta médica ou com profissional de saúde mental se você ou alguém próximo a você apresentar medo excessivo para vivenciar situações sociais. Fique atento a sinais de constrangimento, preocupação ou pânico. Se este tipo de ansiedade atrapalha sua vida ou se você notar que está interferindo na qualidade de vida de outra pessoa, provoca estresse e afeta as atividades diárias, procure ajuda médica o mais rápido possível. Apesar de não ser considerada uma emergência médica, a fobia social – ou ainda qualquer doença que possa apresentar sintomas similares – necessita de tratamento.

Na consulta médica especialistas que podem diagnosticar fobia social são Clínico geral e Psiquiatra.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram. Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade. Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar

Psicoterapia

Existem diversas formas de psicoterapia, sendo a mais estudada e com melhores resultados para a fobia social a Psicoterapia Cognitiva Comportamental. É um tipo de tratamento que costuma surtir muito efeito na qualidade de vida das pessoas com fobia social, diminuindo seus sintomas. Na terapia cognitiva, o paciente aprende a reconhecer os pensamentos negativos que carrega consigo e, em seguida, mudá-los, desenvolvendo habilidades que o ajudem a ganhar confiança (principalmente em situações sociais ).

Entre as opções existentes dentro da psicoterapia, a terapia cognitivo-comportamental é o tipo mais comum de aconselhamento para a ansiedade característica da fobia social. Na terapia cognitivo-comportamental, o paciente é constantemente exposto a situações sociais que lhe causam apreensão e medo. Enfrentar situações temidas é essencial para desenvolver habilidades e adquirir confiança para lidar com essas situações

Fonte: Instituto Nacional Americano de Saúde Mental